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Universo: Gato Celeste encontra Lagosta Cósmica

By REDAÇÃO FOLHA PAULISTANA / Published on sexta-feira, 10 fev 2017 00:00 AM / No Comments / 2 views

Os astrónomos estudam há muito tempo as nuvens cósmicas brilhantes de gás e poeira catalogadas com os nomes NGC 6334 e NGC 6357, sendo esta nova imagem gigante, obtida com o Telescópio de Rastreio do Very Large Telescope do ESO, apenas uma das mais recentes. Com cerca de dois mil milhões de pixels trata-se de uma das maiores imagens alguma vez divulgadas pelo ESO. As formas evocativas destas nuvens levaram a que se lhes desse nomes memoráveis, tais como Nebulosa da Pata do Gato e Nebulosa da Lagosta, respetivamente.

A NGC 6334 situa-se a cerca de 5500 anos-luz de distância da Terra, enquanto que a NGC 6357 se encontra mais afastada, a uma distância de 8000 anos-luz, ambas situadas na constelação do Escorpião, próximo da ponta do espigão.

Nebulosa da Pata do Gato (NGC 6334, em cima e à direita) e a Nebulosa da Lagosta (NGC 6357
Universo: Gato Celeste encontra Lagosta Cósmica – Foto: ESO

O cientista britânico John Herschel observou pela primeira vez traços dos dois objetos em noites consecutivas de junho de 1837, durante a sua expedição de 3 anos ao Cabo da Boa Esperança, na África do Sul. Na altura, o fraco poder resolvente do telescópio que possuía apenas lhe permitiu documentar a almofada da garra mais brilhante da Nebulosa da Pata do Gato. Passariam muitas décadas até que as verdadeiras formas destas nebulosas fossem aparentes em fotografias — e surgissem os seus nomes populares.

As três almofadas das garras da Pata do Gato visíveis através dos telescópios modernos, assim como as regiões em tenaz da Nebulosa da Lagosta, são efectivamente regiões de gás — predominantemente hidrogénio — que brilham sob a influência de estrelas recém nascidas. Com massas cerca de 10 vezes a do Sol, estas estrelas quentes emitem intensa radiação ultravioleta que ioniza os átomos de hidrogénio que permanecem ainda na maternidade estelar que as formou. É por isso que estes vastos objetos do tipo de nuvens, que brilham devido à radiação emitida pelo hidrogénio e outros átomos, são conhecidos por nebulosas de emissão.

Graças ao poder da OmegaCAM, a câmara de 256 milhões de pixels montada no Telescópio de Rastreio do Very Large Telescope (VST), esta imagem revela tentáculos de poeira obscurante serpenteando pelas duas nebulosas. Com 49511 x 39136 pixels trata-se de uma das maiores imagens jamais divulgadas pelo ESO.

A OmegaCAM é sucessora do célebre instrumento Wide Field Imager (WFI) do ESO, atualmente instalado no telescópio MPG/ESO em La Silla. O WFI foi utilizado para fotografar a Nebulosa da Pato do Gato em 2010, também no visível mas com um filtro que permitiu que o brilho do hidrogénio se tornasse mais resplandescente (eso1003). Entretanto, o Very Large Telescope do ESO observou igualmente a Nebulosa da Lagosta de modo mais profundo, capturando muitas estrelas quentes e brilhantes que influenciam a cor e a forma do objeto (eso1226).

Apesar dos instrumentos de vanguarda usados para observar estes objetos, a poeira nestas nebulosas é tão espessa que muito do seu conteúdo permanece escondido. A Nebulosa da Pata do Gato é uma das maternidades estelares mais ativas do céu noturno, alimentando milhares de estrelas quentes jovens, cuja radiação visível não consegue chegar até nós. No entanto, observações no infravermelho, obtidas com telescópios como o VISTA do ESO, podem espreitar para lá da poeira e revelar-nos a atividade de formação estelar que ocorre no seio destes objetos.

Observar nebulosas a diferentes comprimentos de onda (cores) de radiação dá-nos a possibilidade de fazer diferentes comparações visuais. Quando, por exemplo, observamos estas nebulosas nos maiores comprimentos de onda do infravermelho, uma parte da NGC 6357 parece-se com uma pomba e outra parte com uma caveira; por isso também se chama a este objeto Nebulosa Guerra e Paz.

Por Richard Hook – Tradução Gustavo Rojas/ESO
Edição final: William Camargo/Folha Paulistana