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Alerj aprova venda da Cedae e Servidores fazem protesto após aprovação

Por William Camargo / Publicado em21/02/2017 00:18 /

Atualizado em: 21/02/2017 às 00:18

Aprovação do Cedae e Manifestação – A proposta recebeu 41 votos favoráveis e 28 contrários. Estavam presentes os 70 deputados, sendo que um, Dr. Deodalto (DEM) se absteve. Servidores protestaram logo após a aprovação

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) acaba de aprovar o texto-base enviado pelo governo do estado propondo a privatização da Companha Estadual de Água e Esgoto (Cedae).

Os deputados da base do governo, que são maioria, derrubaram hoje (20) as 211 emendas apresentadas ao longo de duas semanas de debate, por meio do Colégio de Líderes. A expectativa é que, ao longo da tarde, sejam lidas até 20 emendas, apresentadas pelos partidos como destaques.

Durante a votação nominal, os deputados governistas afirmaram que a medida era fundamental para conseguir alívio nas contas e pagar os servidores. A privatização da Cedae é uma das contrapartidas exigidas pelo governo federal para aprovação do socorro às finanças do Rio e a suspensão do pagamento da dívida com a União.

O líder do PMDB na casa Rafael Picciani (PMDB), filho do presidente da Alerj, Jorge Picciani (PMDB) comemorou o resultado e cobrou que a União acelere a aprovação do acordo, em Brasília. “Agora cabe ao governo federal e ao Congresso dar curso a essas medidas para que o pacote faça valer e o Rio de Janeiro retome o equilíbrio fiscal”, afirmou.

À imprensa, ele explicou que nenhuma emenda poderá mais alterar o “produto final” do texto-base, que é “dar um ativo como garantia à União”. Ele explicou, no entanto, que a medida não privatiza a companhia de imediato. “O que votamos hoje ainda não é a privatização, é a alienação das ações como garantia para que o problema de recuperação fiscal do estado, em acordo com o governo federal, se mantenha de pé”. A privatização pode levar até um ano, estimou.

Oposição

Para a oposição, no entanto, que conseguiu aglutinar PSOL, PCdoB, PSDB e DEM, a medida é extrema e não diminuirá a dívida ativa do governo do estado. Nas contas dos parlamentares, o valor chega a R$ 70 bilhões.

“A Cedae estás endo vendida por um valor rídiculo, pífio. Querem sim privatizar a água, isso que está em jogo”, afirmou o deputado Marcelo Freixo, ao justificar o voto de seu partido. Ele criticou o governo de Luiz Fernando Pezão por não ter ido à Alerj defender o projeto.

A mesma opinião foi compartilhada pela deputada Lucinha (PSDB). Ele disse que é uma ilusão achar que o dinheiro da privatização da Cedae será usado para pagar salários atrasados. “A assembleia está dando um cheque em branco ao governo [do estado]”, criticou. “Quero ver uma empresa privada colocar água nos lugares mais distantes, mais pobres, na zona oeste, na Baixada [Fluminense]. Empresa privada visa lucro e não vai até esses lugares”, criticou.

A aprovação do texto base do projeto de lei de privatização da Cedae mobilizou centenas de manifestantes em protesto.

A manifestação teve início em frente ao prédio da Assembleia Legislativa e após a votação, em resposta, os servidores saíram em passeata até a sede da empresa Cedae, interditando a Avenida Presidente Vargas, uma das principais do centro do Rio e complicando bastante o trânsito da região.

No local houve confronto. Um grupo de encapuzados praticou atos de violência durante o protesto. Uma grade que foi colocada em frente ao prédio da Cedae foi derrubada.

O grupo jogou pedras, quebrou lixeiras. Cartazes do Carnaval, que estavam no sambódromo do Rio, próximo dali, foram destruídos. A Polícia Militar revidou com bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e spray de pimenta. Um carro da guarda municipal teve o vidro da janela quebrado enquanto passava por uma das ruas próximas.

Segundo a assessoria da Polícia Militar, o Batalhão de Choque da PM deteve 17 manifestantes por vandalismo e o 4º BPM prendeu um homem que estaria com uma barra de ferro.

A advogada Elza Braz, da Comissão de Direitos Humanos da OAB do Rio, se revoltou com a reação de policiais a um grupo de manifestantes da Uerj, Universidade do Estado. Patricia Delgado, servidora da Cedae, há 11 anos, acredita que a privatização vai prejudicar toda a população.

Após os protestos, servidores da Cedae, que estão em greve, discutiram estratégias para a mobilização, que continua nos próximos dias. Nesta terça-feira está prevista uma assembleia para definir ações do movimento grevista.

O secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Saneamento, Paulo Farias, funcionário da Cedae há 32 anos, disse que a luta não terminou. Ao todo foram destacadas 16 emendas ao projeto de lei de privatização da Cedae, que devem ser votadas nesta terça-feira (21)

Linha fina e edição final: William Camargo/Folha Paulistana
Da Agêncima Brasil
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil